O ESPANTALHO IDENTITÁRIO E O "VOLK" HUMANO INTERNACIONAL

Lendo sobre as origens do discurso racial-nacionalista alemão no começo do Século XIX (lembrem-se do contexto: ocupação francesa de Napoleão), não consegui deixar de pensar no progressismo atual como um "sangue e terra" internacionalista. Foi só trocar Nação por Mundo que a doutrina proibida virou uma modinha do bem.

Me ocorreu também que a reação automática da maioria dos adultos quando apresentados à "problematização" da chamada "palmitagem" - a risada - é um sintoma digno de investigação. Porque será que o riso e o silêncio foram o destino desta questão específica enquanto basicamente todas outras em volta dela cresciam em representatividade pública com a rápida popularização dos discursos progressistas pra todo lado? É evidente para mim que isso foi uma questão interna, um silenciamento interno.

Digo isso tanto porque dentro dos grupos de discussão dos movimentos femininos essa questão era levada muito a sério pelas meninas jovens mais desfavorecidas (em termos de "volk", digamos assim) quanto porque ela é totalmente inseparável do tratamento de qualquer problema no momento em que os termos progressistas são tomados como premissa, ainda que em público quase ninguém tenha coragem sequer de mencionar a existência dessa história como algo que um "cidadão de bem" progressista levaria a sério. Observe o mito do "cidadão de bem progressista" já consolidado, e note que ele abomina de dentro de seu próprio campo. É para estes, os usados e abandonados, jogados fora por razões práticas imediatas, que eu sempre advoguei "estender a mão".

Atentem para o seguinte: os próprios progressistas da moda começam agora ensaiar o uso do fantasma do identitarismo como um espantalho maligno daquilo que não presta dentro do seu campo.

Peço a todos que viam "internamente" esse problema do identitarismo há anos fiquem alertas agora para como é possível - e até provável - que valha a pena somar à crítica também a inversão da crítica por causa dessa apropriação modinha da crítica ao identitarismo que no campo progressista era tão difícil de fazer há alguns anos atrás e agora, está visivelmente cada vez mais aceitável, mais politicamente correta. Isso não será fácil, pois é uma competição com as campanhas dos "protagonismos do progressismo" ao mesmo tempo em que, potencialmente, é dar munição ao suposto "inimigo maior", o religioso fundamentalista. Já expliquei muito porque discordo dessa premissa, mas enquanto alguns fantasmas não saírem do imaginário popular eu não pretendo cutucar muito mais a fundo tão cedo. Enfim, ao meu ver - e eu já li bastante sobre essa questão nos EUA, em como se infiltrou nas universidades e tal, além de estar fisicamente em comunidades gringas e brazucas enquanto as discussões aconteciam, antes mesmo das eleições do Trump.

Hoje, me parece evidente que "o identitarismo" nunca foi o problema, porque ele é mais marketing do que fato, mais ideia do que coisa. É um termo na mão de quem tiver mais meios para impor nele, enquanto símbolo, sentidos específicos para o público. O problema é a modinha, a rainha do mundo das brigas públicas que são políticas (pois são entre agentes reais como famílias e "oligopólios", etc., mas se disfarçam de ideia contra ideia no processo de mobilização generalizada do povo tendo em vista o lucro.Ou seja, se algo era modinha e se torna do nada inimigo da modinha, é hora de ficar especialmente alerta.

Enfim, por isso acho esse riso e esse silêncio ao mesmo tempo tão reveladores quanto cruéis. Minha impressão é a de que se as meninas dos movimentos negros tivessem mesmo poder de impor suas questões, essa não teria sido enterrada como foi... e que agora o "discurso incel" é o herdeiro "macho branco" das discussões de palmitagem que eram sérias entre as meninas negras há uns anos atrás, antes dos protagonistas do progressismo conseguirem suprimi-la em detrimento da vitória, da praticidade, etc. Nunca se esqueçam como na hora do vamo ver, na última eleição, enterraram até a manuela d'ávila, num piscar de olhos. Imagina o que não se consegue com os mais fracos.

Enfim, no meu imaginário, o incel levantaria a seguinte bandeira: "somos os filhxs brancxs direitistxs das meninas negrxs esquerdistxs que vcs não conseguiram silenciar"

Absolutamente NADA que afete diretamente a formação dos laços entre homens e mulheres para combinar forças na criação dos filhos pode ser ignorado, porque nunca é só um homem e sua mulher que se unem nesse cenário: são duas famílias inteiras combinando forças. Os padrões de associação entre famílias através da produção de herdeiros jamais pode ser ignorado.

Com isso, espero ter explicado um pouco melhor a tendência extremamente amigável que eu tenho com relação às "questões dos negros", questões marxistas, "questões gays", que deixa frequentemente curiosa e até preocupada boa parte dos meus seguidores que percebem como o foco de todo o meu "veneno antiesquerda" é absolutamente único: o 'feminismo modinha", neoliberal, globalista, etc. Desde o início até hoje, meu alvo sempre foi o mesmo: o Lacre que lucra. É o que eu chamo de marketing disfarçado de ideologia. São as mentiras que se vendem como movimento para enriquecimento próprio, financiadas por gente que vai trocar de lado por trás dos bastidores assim que o lucro mudar de lado.

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